Nic e Inês

🇬🇧Nic and Inês are the faces behind Casa Nic e Inês Edições. You can also find them on Instagram @casaniceines.

How would "once upon a time there was a little boy called Nic and a little girl called Inês" go? What story would it tell us?
Once upon a time there was a girl called Inês and a boy called Nic who met at Faculdade de Belas Artes of Universidade de Lisboa and soon fell in love and became teachers. Later Inês published her Master's thesis "The Artist’s Book: A medium for creative exploration" which made Nic and Inês fall in love with books, and so they created and exhibited many of their own experimental Artist’s Books.
They did all this by collaborating during the famous "crisis" that led most of their colleagues and friends to leave Portugal in search of opportunities.
Just as things were becoming more stable, they lost their teaching jobs, so the couple considered how they could adapt. Unable to invest in a space or studio, they reorganised their living room and started giving workshops in an innovative and low-cost format, using recycled materials, tools and limited resources. “Casa Nic and Inês" has inadvertently revolutionised Lisbon’s market: what started with 3 people has grown to 60 per week and a full time activity.
They regularly promote conversations, performances and workshops with prominent artists and authors in the fields of music, literature, and illustration, through an event called Parlapiê.
The year they started this project, Nic and Inês surprised the Lisbon art scene by marrying in a performance at their first joint exhibition at LX Factory. They continue to exhibit regularly and always introduce an element of installation, performance, and interaction with the public, which sets them apart in this scene.
More recently they have published illustrated children's books in Portugal, Brazil and India. In 2016 they went around the world, on a journey that took them to 3 continents in search of inspiration. They gave presentations, and workshops in the USA, South Korea, Vietnam, Taiwan and Australia. In 2019 they travelled to Japan to learn and share knowledge. In the same year they launched their own publishing house - Casa Nic and Inês Edições - to publish less conventional formats and content.

How did you find yourself in the pages of picture books?
We initially fell in love with the Artist’s Book and unconventional shapes, such as the accordion book, carousel, flip-book, infinity, Eastern countries’ bindings and many others. Basically, it was the beginning of an interest for the book itself - the material, the object - and for unusual and beautiful shapes that encourage new readers to get to love reading and the world of books. Through this love of paper and reading we realised that illustrated albums, and children's books are also in a way Artist’s Books and authentic masterpieces that are easily accessible and very democratic because they reach more people (libraries and bookshops, far away from big cities). So we tried creating our own illustrated and children's books. 

When you create a story, do you ever try to transform the little child who will listen to your words and delight themselves with your illustrations? If so, how and what is your main purpose?
We try to attract or transform children into future readers through a less conventional approach, using contents and shapes that are less usual, looking at them from different angles. The book should be open to interpretation and not limited.  We want it to have several readings, sometimes poetic, that can be used as a portal to ourselves and to the world around us. Books and stories allow us to be aware of the outer and inner world, and from there we can create more empathy. We believe that the more empathy there is in everyone, the better the world will be for everyone.

If you could choose any existing book, which one would you have liked to have written/illustrated yourself?
There are so many good illustrated books. There are even those stories that have been illustrated and reinterpreted many times. In fact our love of reading comes from our love of reading novels. Choosing just one is almost impossible. One novel we both love and wish we had written is “The Terrible Privacy of Maxwell Sim” by Jonathan Coe. Fun, intrigue, humour, mystery. Writing like this is special. Illustrating such a long story would be a huge challenge.

If you could, who would you hug today?
Aida - our daughter who is about to be born this March.

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🇵🇹Nic e Inês são as caras responsáveis pela Casa Nic e Inês Edições. Podem também encontrá-los no Instagram em @casaniceines.

Como seria o "Era uma vez uma menina chamada Inês e um menino chamado Nicholas?”
Era uma vez uma menina chamada Inês e um menino chamado Nic que se conheceram na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e cedo se apaixonaram, e se tornaram professores. Mais tarde a Inês publicou a sua tese de mestrado “O Livro de Artista: Um meio de exploração criativa” o que fez com que Nic e Inês se apaixonassem pelos livros, e por isso criaram e expuseram muitos dos seus próprios Livros de Artista experimentais.
Fizeram tudo isto colaborando durante a famosa “crise” que levou a maioria dos seus colegas e amigos a abandonar Portugal em busca de oportunidades.
Assim que as coisas pareciam mais estáveis, eis que perderam os seus empregos no ensino, então o casal ponderou como poderiam reagir. Não tendo possibilidades para investir num espaço ou num estúdio, reorganizaram a sua sala de estar e começaram a dar workshops num formato inovador e low-cost, recorrendo a materiais reciclados, ferramentas e recursos limitados. A “Casa Nic e Inês” revolucionou inadvertidamente o mercado Lisboeta: O que começou com 3 pessoas cresceu para 60 por semana e uma atividade a tempo inteiro.
Promovem regularmente conversas, atuações e workshops com artistas e autores proeminentes nas áreas da música, da literatura, e da ilustração, num evento chamado Parlapiê.
No ano em que iniciaram este projeto, Nic e Inês surpreenderam a cena artística de Lisboa ao se casarem numa performance na primeira exposição conjunta que realizaram, na LX Factory. Continuam a expor com regularidade e introduzem sempre um elemento de instalação, performance, e interação com o público, o que os diferencia nesta cena.
Mais recentemente, publicaram livros infantis ilustrados em Portugal, no Brasil e na Índia. Em 2016 deram a volta ao mundo, numa viagem que os levou a 3 continentes em busca de inspiração. Fizeram apresentações e workshops nos EUA, Coreia do Sul, Vietname, Taiwan e Austrália. Em 2019 viajaram ao Japão para aprender e partilhar conhecimentos. No mesmo ano lançaram a sua própria editora - Casa Nic e Inês Edições - para publicar formatos e conteúdos menos convencionais.

Como foram parar às páginas de um livro infantil?
Apaixonámo-nos inicialmente pelo Livro de Artista e com formas nada convencionais, como livro acordeão, carrossel, flip-book, infinito, encadernações de países orientais e tantos outros. No fundo começou o gosto pelo livro em si - a matéria, o objeto - e por formas insólitas e belas que potenciam a aproximação dos novos leitores à leitura e ao mundo dos livros. Através deste gosto pelo papel e pela leitura, percebemos que o álbum ilustrado e o livro infantil também são de certa forma Livros de Artista e autênticas obras de arte, que são de fácil acesso e muito democráticos porque chegam a mais pessoas (bibliotecas e livrarias, longe de grandes cidades). Então experimentámos criar os nossos próprios livros ilustrados e infantis.

Como tentam transformar as crianças para quem escrevem?
Tentamos atrair ou fazer das crianças leitores futuros através de uma aproximação menos convencional, usando conteúdos e formas menos habituais, olhando para elas de ângulos diferentes. O livro deve ser aberto a interpretações e pouco estanque. Tentamos que haja várias leituras, por vezes poéticas, que podem servir de portal para nós próprios e para o mundo à nossa volta. O livro e as histórias fazem-nos conhecer o mundo exterior e interior, e daí podemos criar mais empatia. Acreditamos que quanto mais empatia existir em cada um, melhor será o mundo para todos.

Dada a possibilidade de escolher qualquer um, que livro gostariam de ter escrito e ilustrado?
Existem tantos e tão bons livros ilustrados. Existem até aquelas histórias que já foram ilustradas e reinterpretadas muitas vezes. Na verdade, o nosso gosto pela leitura advém do gosto por ler romances. Escolher apenas um é quase impossível. Um romance que ambos adoramos e gostaríamos de ter escrito é “A Vida Privada de Maxwell Sim”, de Jonathan Coe. Diversão, intriga, humor, mistério. Escrever assim é especial. Ilustrar uma história tão longa seria um enorme desafio.

Se pudessem, a quem dariam um abraço apertado hoje?
À Aida - a nossa filha que está prestes a nascer este mês de março.