Maria da FĂ© Peres

🇬🇧Maria da Fé Peres is the translator behind the wonderful Portuguese translation of "The Gruffalo".

What would the book that starts with “Once upon a time there was a girl named Maria da Fé Peres” be like? We want to understand how books became so special in little Maria’s life.

Once upon a time there was a little girl who loved to read stories. That’s how I could start the story about my relationship with books. A relationship as natural as starting to walk, loving to play and eating sweets. I grew up in a house where books were always present. My love for reading was nurtured by the new books that arrived and by the ones that I found on the bookshelves. Picture books, some made of cloth, Uncle Scrooge comic books, the Formiguinha collection, adventure books by Enid Blyton, are some of the references I still remember from my first years of reading. My parents always encouraged reading and I owe my dad the discovery of my favourite book of all time, when I was 17, To Kill a Mockingbird. My relationship with books remains the same until today, after many turned pages, many lessons learned and emotions experienced. My love for reading is like pure friendship, unforgettable.

How did you end up on the pages of a children’s book, in your case as a translator?
Through a work proposal from the publishing house Civilização. The first books I translated were five books by Roald Dahl, one of the most gratifying authors I have worked on. His genius is one of a kind and his writing is challenging. It was through him that I had my first contact with translating rhyme. Ensuring a good balance between the original text and the target text with rhythm and spontaneity is always a challenging task.

How do you ensure you are faithful to the author of the original text, whilst always keeping in mind the melodious form in which it has to be listened to by your audience?
I have to balance the process between the principle of neither betraying the author nor the reader who reads him through me. The path between both things is sometimes a hard one, but it’s a principle I have to respect unconditionally. For me, that’s the only way to translate. What I do is I never lose sight of the original text and, at the same time, I try to put myself in the mind of the reader of the translation, adapting the text until I feel the blend is sufficiently consistent and transparent for the desired outcome.

In what other children’s books can we find your precious contribution?
By Roald Dahl: Charlie and the Chocolate Factory, Fantastic Mr Fox, Matilda, James and the Giant Peach, and Charlie and the Great Glass Elevator, published by Civilização Editora, between 2011 and 2012.
By Axel Scheffler and Julia Donaldson:  The Gruffalo and The Gruffalo’s Child, published by Jacarandá Ed./Editorial Presença, respectively in 2014 and 2016.
By Keith Richards, Gus & Me: The Story of My Granddad and My First Guitar, published by Jacarandá Ed./Editorial Presença, in 2014.
 
If you could choose any one of them, which book would you have liked to have written or illustrated?
If you are referring to the children’s books I’ve translated, I would say Charlie and the Chocolate Factory, which is the result of a simultaneously flamboyant and logical imagination. The work of a great writer of children’s stories.
 
If you could, who would you hug tightly today?
My best friend.

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🇵🇹
Maria da Fé Peres é a cara por trás da maravilhosa tradução portuguesa de "O Grufalão".

Como seria o livro que começa com "Era uma vez uma menina chamada Maria da Fé Peres"? Queremos perceber como é que os livros se tornaram especiais na vida da pequena Maria.
Era uma vez uma menina que adorava ler histórias. Podia começar assim a narrativa da minha relação com os livros. Uma relação tão natural, como começar a andar, a gostar de brincar ou de comer gulodices. Cresci numa casa onde já havia livros. E, assim, o gosto pela leitura era nutrido pelos novos livros que entravam, e pelos que descobria nas prateleiras. Livros de bonecos, alguns feitos em pano, banda desenhada do Tio Patinhas, a coleção Formiguinha, livros de aventuras de Enid Blyton, algumas das referências que guardo na memória dos primeiros anos de leitura. Os meus pais sempre me estimularam a leitura, e devo ao meu pai a descoberta aos 17 anos do meu livro preferido de sempre, Não Matem a Cotovia. Até hoje, nesta relação com os livros, muitas páginas percorridas, muitas lições aprendidas e muitas sensações vividas. O meu gosto pela leitura é como a amizade pura, nunca se esquece.

Como é que foi parar às páginas de um livro infantil, no seu caso, enquanto tradutora?

Por proposta de trabalho da editora Civilização. As primeiras obras traduzidas foram cinco títulos de Roald Dahl, um dos autores mais gratificantes em que trabalhei. A sua genialidade é incomparável, e a sua escrita um desafio. Com ele, tive o primeiro contacto com a tradução de rima, o que é sempre uma aventura para garantir a boa articulação entre o que está no texto de partida e o texto final com ritmo e espontaneidade.-

Como faz para garantir que Ă© fiel a quem escreveu a histĂłria original, sem esquecer a forma melodiosa como tem de ser ouvida por quem escuta a sua voz?

Nortear o processo entre o princípio de jamais trair o autor e o de jamais trair aquele que o lê através de mim. O caminho entre um e o outro é árduo muitas vezes, mas esse é um princípio que tenho de respeitar em absoluto. Não entendo a tradução de uma outra forma. A concretizar como o faço, poderia dizer que nunca perco de vista o texto original, ao mesmo tempo que me tento colocar na mente de quem lê o que vou traduzindo, moldando o texto até achar que a mistura está suficientemente consistente e transparente para o resultado pretendido.

Em que outros livros infantis poderemos encontrar a sua preciosa contribuição?

De Roald Dahl: Charlie e a Fábrica de Chocolate, O Fantástico Sr. Raposo, Matilda, James e o Pêssego Gigante e Charlie e o Grande Elevador de Vidro, editados pela Civilização Editora, entre 2011 e 2012.
De Axel Scheffler e Julia Donaldson: O Grufalão e A Filha do Grufalão, editados pela Jacarandá Ed./Editorial Presença, respetivamente, em 2014 e 2016.
De Keith Richards, Gus & Eu - A História do Meu Avô e da Minha Primeira Guitarra
editado pela Jacarandá Ed./Editorial Presença, em 2014.
 
Dada a possibilidade de escolher qualquer um, que livro gostaria de ter escrito ou ilustrado?
Se a questão se dirige aos livros infantis que traduzi, apontaria Charlie e a Fábrica de Chocolate. O fruto de uma imaginação esfuziante e tão lógica, em simultâneo. A obra de um criador genial de histórias para crianças.
 
- Se pudesse, a quem daria um abraço apertado hoje?
Ao meu melhor amigo.