Joana Martins

🇬🇧Joana is the paediatrician behind Instagram's @pediatrajoanamartins, a page to support every family's singular journey through parenthood. 

Who are you, Joana? Who are Sebastião and Baltazar? 
I am an avid reader and was lucky enough to have grown up among books. During my teenage years, for example, I felt closer to some books than to many people in my own life. It’s not that I’m shy, but truth be told, books always responded to my need for seclusion, the world and creativity. Sebastião, a boy much wiser than his mum, finds in books an answer to his enormous curiosity and need for knowledge. Baltazar, perhaps because he’s still two years old, is more relaxed, with a huge sense of humour and a love for stories with rhythm, thyme and onomatopoeias.

In what way did stories and books make an impression on you as a child? Do you keep an image of something or some book in particular?
I remember one of my first books, with very strong graphics, that I was never able to read again, that depicted the journey of an acorn until it became an oak tree. I also remember very distinctly a collection of small picture books about the brothers Grimm’s main tales. I flipped through their pages so much that, despite not being able to read, I learned their illustrations and stories by heart. 

How do you choose each of the books that you present to Sebastião and Baltazar?

It can sound too practical, but I try to look up
 books that provide an answer to specific questions. For example, during a time that Sebastião was more defiant, I liked to read him the story of Rodrigo the rhinoceros, who suddenly learned the word NO. When he asked me why there are boys on tv who dress up as girls, I read the story of Julian, a boy who wanted to be a mermaid. When Baltazar starts fights about toys, I read him the story of the squirrels that didn’t want to share an acorn. When my mother died, I searched for books  about death, so that I could explain it to my two sons. What I mean is that, at this stage in their lives, I look at books as tools to help me explain certain concepts to them.

How would you like books to influence them?
I’d like them to be
free, righteous and worthy human beings. I’m really scared of failing to fulfill my role as a catalyst in their growth process.

Of all the picture books you’ve handled, which is the one that caused the biggest impression on you? Why or in which way?
The Heart and the Bottle, by Oliver Jeffers. A book with the perfect metaphor to explain loss, pain, depression, and the fear of suffering again. It’s a very simple book, but after reading it I felt it was my sons hands that took my heart out of the bottle.

If you could, who would you hug today?
Today and always, my mother. 

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🇵🇹
Joana é a pediatra responsável pela conta de Instagram @pediatrajoanamartins, uma página para apoiar a aventura de cada família no seu percurso pela parentalidade.

Quem és tu, Joana? Quem são o Sebastião e o Baltazar?

Eu sou uma ávida leitora e tive a sorte de crescer rodeada de livros. Na minha adolescência, por exemplo, sentia-me mais próxima de alguns livros do que de muitas pessoas na minha vida. Não sou propriamente tímida, mas a verdade é que os livros sempre deram resposta à minha necessidade de fuga, de mundo, de criatividade. Já o Sebastião, menino bem mais ajuizado do que sua mãe, vê nos livros a resposta para a sua enorme curiosidade e sede de saber. O Baltazar, talvez por ter ainda 2 anos, é mais descontraído, com um enorme sentido de humor e gosta de estórias com ritmo, rimas e onomatopeias.
 
De que forma as histórias contadas e os livros te marcaram na infância? Guardas a imagem de algo ou algum livro em particular?
Lembro-me de um dos meus primeiros livros, com um grafismo bastante marcado, que nunca mais consegui rever, que abordava a jornada de uma bolota até se transformar num carvalho. Também recordo com bastante precisão, uma colecção de pequenos livros ilustrados sobre os principais contos dos irmãos Grimm. Eram de tal modo manuseados por mim, que, apesar de não saber ler, aprendi as ilustrações e as histórias de cor.
 
Como eleges cada um dos livros em que viajas com o Sebastião e o Baltazar?
Pode parecer demasiado prático, mas tento procurar livros que me respondem a perguntas concretas. Por exemplo, na altura de maior oposição do Sebastião, gostava de lhe ler a estória do rinoceronte Rodrigo que subitamente aprendeu a palavra NÃO. Quando me perguntou porque há meninos que se vestem de meninas na televisão, eu li-lhe a estória do Jaime, o menino que queria ser sereia. Quando o Baltazar desencadeia lutas por brinquedos, leio-lhe a história dos esquilos que não queriam partilhar uma bolota. Quando a minha mãe faleceu, procurei livros sobre a morte, para poder explicá-la aos meus dois filhos. Ou seja, nesta etapa da vida deles, procuro livros como se fossem ferramentas para me ajudarem a explicar conceitos.
 
Como é que gostarias que os livros os transformassem?
Em seres humanos livres, verticais e dignos. Tenho muito medo de não conseguir cumprir o meu papel catalisador nesse processo de crescimento.
 
De todos os livros infantis que já te passaram pelas mãos, qual o que teve um impacto mais transformador? Porquê ou de que forma?
O coração e a garrafa, de Oliver Jeffers. Um livro com a metáfora perfeita para explicar a perda, a dor, a depressão, o medo de voltar a sofrer. É um livro muito simples, mas depois de o ler, senti que foram as mãos dos meus filhos a retirar o meu coração da garrafa.
 
Se pudesses, a quem darias um abraço apertado hoje?  
Hoje e sempre, à minha mãe.