Filipa Galrão

🇬🇧Filipa is one of the voices at Rádio Renascença, among so many other things. You can find her on Instagram at @filipagalrao.

Who are you, Filipa? Who are Eusébio and Ema?
I am someone passionate about Radio and books. For me, both have been an open door to the world for as long as I can remember. I am also a believer in change and I see in my children the perfect opportunity to become a better person. Eusébio and Ema are the extension of me and Mário - their father - but at the same time they are unique and have a whole life of choices, challenges, defeats and successes ahead of them. I just want to be in the front row watching. Always ready to extend my hand, in any moment of happiness or distress. With love and without judgement.

In what way did stories and books make an impression on you as a child? Do you keep an image of something or some book in particular?
Books have made a huge impression on me. They empowered my imagination to the maximum. With books I could know everything and go anywhere. I read the classics very early on and today I go back to them to see how the story has other meanings after all. Often to see how important they were in my construction, too. But before the classics, I have a vivid memory of reading the book "We, Children from Bahnhof Zoo", by Christiane F. I can close my eyes and see myself reading it sitting on my bed, at the age of 12. The same age as the main character. That made an impression on me! It was with this book that I became aware of a reality so different from mine, so frightening. I remember being happy to be privileged (without really understanding what that meant) but feeling the call of the abyss, of wanting to know more. I felt the need to get to know those same experiences in depth as if I had lived them. I think I still look a lot for that in books nowadays.

How do you choose each of the books that you present to your children?
I only started reading books to my children after they were a year and a half old. Before that age anything can be read to them, even medicine leaflets. :D When Eusébio was one year old I started to build up a library. Today he's 4 and he enjoys a bit of everything: books with emotional dilemmas like "The Book of Emotions"; books related to some situation he's living at the moment like "Ally-Saurus & the First Day at School", or "Un Amour de Petite Soeur" and "Le Ventre de Ma Maman" that I read a lot to him when I was pregnant with Ema. We also read those half-nonsensical ones that involve surprise and rapture like "Do Not Open This Book", and those with suspense mixed in like "The Grotlyn". They also love books with a repetitive cadence like "The Mole Who Wanted to Know Who did that to his Head" or the classic "The Story of the Little Mole Who Knew it Was None of His Business". In between, I like to buy books that open the way to realities very different from ours and that deal with serious problems but written from a child’s point of view, as is the case of "The Journey", a story that portrays the drama of refugees, told from a child's perspective. Books with little text and illustrations with many details are also great because with each new reading the story is different and we are always adding new perspectives. Basically, I'm very eclectic and I just want them to have as diverse a library as possible. I ensure that we don't lock ourselves into just one genre or author.

How would you like books to influence them?
Simple, that they be a gate to the world. A way to transform them into empathetic and respectful people. One to make them understand that the world is not only ours and that we have to be prepared to welcome the beauty of diversity.

Of all the picture books you’ve handled, which is the one that caused the biggest impression on you? Why or in which way?
Many, like "The Journey" which I mentioned earlier. But I think I became aware of the importance of the power of children's books when I read Oliver Jeffers' "Here We Are". It's not easy to explain to a child where we come from and where we are going, what the universe is and what our role is in all of this. But the book is sublime and the explanations were useful even for me, who am already an adult. These are important books that stimulate a child’s emotional and intellectual intelligence at the same time. And the illustrations are so beautiful!

If given the chance, who would you hug today?
My children, today and always.

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🇵🇹A Filipa é uma das vozes da Rádio Renascença, entre tantas outras coisas. Podem encontrá-la no Instagram em @filipagalrao.

Quem és tu, Filipa? Quem são o Eusébio e a Ema?
Sou uma apaixonada por Rádio e por livros. Ambos foram para mim uma porta aberta para o mundo desde que me lembro. Sou também uma crente na mudança e vejo nos meus filhos a oportunidade perfeita para me tornar melhor pessoa. O Eusébio e a Ema são a minha extensão e a do Mário – o pai deles – mas ao mesmo tempo são únicos e têm toda uma vida de escolhas, desafios, derrotas e sucessos pela frente. Só quero estar sempre na primeira fila a assistir. Sempre pronta para estender a minha mão, em qualquer momento de felicidade ou aflição. Com amor e sem julgamento.

De que forma as histórias contadas e os livros te marcaram na infância? Guardas a imagem de algo ou algum livro em particular?
Os livros marcaram-me muito. Potenciaram a minha imaginação ao máximo. Com os livros eu conhecia tudo e ia a todo o lado. Li os clássicos muito cedo e hoje volto a eles para perceber como a história, afinal, tem outros significados. Muitas vezes para comprovar como foram importantes na minha construção, também. Mas antes dos clássicos, tenho muito presente a leitura do livro “Os Filhos da Droga”, de Christian F. Consigo fechar os olhos e ver-me a lê-lo sentada na minha cama, com 12 anos. A mesma idade da protagonista. Isso marcou-me! Foi com este livro que tive consciência de uma realidade tão diferente da minha, tão assustadora. Lembro-me de estar feliz por ser privilegiada (sem perceber bem o que isso significava) mas sentir o apelo do abismo, de querer saber e conhecer mais. Sentia necessidade de conhecer a fundo essas mesmas experiências como se as tivesse vivido. Acho que ainda hoje procuro muito isso nos livros.

Como eleges cada um dos livros em que viajas com os teus filhos?
Só comecei a ler livros aos meus filhos depois de já terem um ano e tal. Isto porque antes dessa idade qualquer coisa serve para lhes ler, até a bula dos medicamentos. :D Quando o Eusébio tinha um ano comecei então a compor a biblioteca. Hoje tem 4 e aprecia de tudo um pouco: livros com dilemas emocionais como "O Livro das Emoções"; livros relacionados com alguma situação que ele esteja a viver no momento como "Ali-Saura & o Primeiro Dia de Escola", ou "Um amor de irmã" e "Na Barriga da Minha Mãe" que lhe li bastante quando estava grávida da Ema. Também lemos aqueles meio absurdos que envolvem surpresa e êxtase como o "Não Abras Este Livro", e com suspense à mistura como o "Olharapo". Eles também adoram os livros de cadência repetitiva como "A Toupeira Que Queria Saber Quem lhe Fizera Aquilo na Cabeça" ou o clássico "O Cuquedo". Pelo meio gosto de lhes comprar livros que abram caminho para realidades muito diferentes da nossa e que tratam problemas sérios mas escritos à medida das crianças, como é o caso d'”A Viagem”, uma história que retrata o drama dos refugiados, contado pela perspetiva de uma criança. Livros com pouco texto e ilustrações com muitos pormenores também são ótimos porque a cada nova leitura a história é diferente e vamos sempre acrescentando novas perspectivas. No fundo, sou muito eclética e só quero que tenham uma biblioteca o mais diversificada possível. Que não nos fechemos só num gênero ou autor.

Como é que gostarias que os livros os transformassem?
Simples, que sejam uma porta para o mundo. Uma ferramenta que os transforme em pessoas empáticas e respeitadoras do próximo. Que os façam entender que o mundo não é só a nossa casa e que lá fora temos de estar preparados para acolher a beleza da diversidade.

De todos os livros infantis que já te passaram pelas mãos, qual o que teve um impacto mais transformador? Porquê ou de que forma?
Muitos, como “A Viagem” de que falei há pouco. Mas acho que tive consciência da importância do poder dos livros infantis quando li o "Aqui Estamos Nós" de Oliver Jeffers. Não é fácil explicar a uma criança de onde vimos e para onde vamos, o que é o Universo e qual o nosso papel no meio disto tudo. Mas o livro é sublime e as explicações serviram até para mim, que já sou adulta. São livros importantes e que estimulam em simultâneo a inteligência emocional e intelectual das crianças. E as ilustrações são tão bonitas!

Se pudesses, a quem darias um abraço apertado hoje?
Aos meus filhos, hoje e para sempre.

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